Publicado em: seg, abr 1st, 2019

Jerusalém, cidade de guerra, cidade de paz.

O que nos diz a Bíblia acerca desta cidade histórica? Quem é o seu verdadeiro dono e o que lhe reserva o futuro? Como será possível que uma cidade em guerra quase contínua se converta em uma cidade de paz duradoura e permanente? Examinemos o passado, o presente e o futuro deste fascinante relato bíblico. (Por: John R. Schroeder.)

 

Desde que Jerusalém é mencionada na Bíblia, tem sido um sinônimo de conflitos, guerras e batalhas. Hoje em dia é a capital do Estado de Israel, cuja existência se vê ameaçada por guerras e conflitos com as nações vizinhas. Atualmente, os palestinos tratam desesperadamente de tomar o controle da parte oriental de Jerusalém, que inclui o monte do Templo e o muro ocidental (o das Lamentações), e a antiga cidade de Daví.

A divisão em diferentes facções também é um problema para Israel. Os judeus sem religião sonham com uma terra utópica, baseada na diplomacia. Os judeus ultranacionalistas se baseiam em demandas territoriais expansionistas , e confiam num poder militar como a chave da sobrevivência.

 

3500 anos de conflitos

O conflito contemporâneo já existe há mais de 50 anos, desde que foi fundado o moderno Israel, mas suas raízes remontam-se muitos anos atrás na história. Alí descobrimos um clima de males e de violência que não difere muito da situação atual na Terra Santa.

Mesmo que na Antiga Jerusalém se menciona as Cartas de Amarna, a primeira referência bíblica se encontra em Gênesis 14: 18-20. Melquisedeque, rei de Salém (identificado em Salmos 76: 1-2 como Jerusalém), saiu a receber ao patriarca Abraão depois que este ganhara uma batalha decisiva, com a ajuda de Deus, contra os reis da região. Abraão resgatou o seu sobrinho Ló, que havia sido tomado cativo.

Esta é a única vez que Jerusalém é mencionada no Pentateuco( os cinco primeiros livros da Bíblia), ainda que Moriá, uma montanha justo ao norte da cidade original é citada em Gênesis 22.2.

Esta histórica cidade -agora considerada sagrada pelas três principais religiões monoteístas( o cristianismo, o judaísmo e o islamismo), e também com frequência um lugar de violência espantosa -está destinada a ser a cidade mais importante de todas. Jerusalém está destinada a ser a gloriosa capital mundial da paz e da verdade, a qual todos os povos do mundo irão olhar.

Deus tem os olhos postos em Jerusalém desde que Melquisedeque, o rei de paz                                 ( Hebreus 7.2), se encontra com Abraão e talvez mesmo antes disto.

Judá e Jerusalém: Uma história Bíblica entrelaçada

Para entender as dificuldades do presente, é muito importante ter uma perspectiva clara da história da Bíblia. É um guia muito acertado, especialmente para entender esta região tão turbulenta.

A relação entre os judeus( a tribo de Judá) e Jerusalém começou muito cedo na história de Israel. Josué, o sucessor de Moisés, derrotou o rei de Jerusalém durante a conquista da Terra Prometida( Josué 10:1-10). Os antigos amorreus haviam ocupado a cidade. Esta foi a parte do território herdado pelas 12 tribos de Israel( Josué 12:7-10).

Mais tarde encontramos que os jebuseus, ao parecer uma tribo cananéia, todavia ocupavam Jerusalém( Josué 15.8). As Escrituras nos dizem: “Mas aos jebuseus que habitavam em Jerusalém, os filhos de Judá não puderam expulsá-los; e ficaram os jebuseus em Jerusalém, com os filhos de Judá até hoje( Josué 15.63).

A Bíblia também disse claramente que a tribo de Benjamin devia herdar Jerusalém                 ( Josué 18: 21,28). Ao colocar juntas todas estas passagens de Josué( e mais tarde as do livro de Juízes), fica muito claro que as tribos de Judá e Benjamin se converteram em tribos estreitamente relacionadas com Jerusalém. Posteriormente elas se aliaríam para formar o reino de Judá.

A conquista de Canaã

Depois da morte de Josué, os israelitas pediram a Deus que lhes mostrasse qual das tribos deveria tomar a liderança para lutar contra os cananeus pagãos( Juízes 1.1).

Vejamos a imediata resposta de Deus: “E o Eterno respondeu: Judá subirá; eis que entreguei a terra em suas mãos.”(v.2). A tribo de Judá foi escolhida especialmente pelo mesmo Criador para levar a cabo tanto um propósito imediato, como um a longo prazo na conquista da terra dos ímpios cananeus. De acordo com a inspirada palavra das Escrituras, esta foi uma eleição de Deus, não de homens.

Os versículos 17-18 narram as vitórias de Judá sobre vários centros cananeus( entre eles Gaza), principalmente nas zonas montanhosas. No entanto, estranhamente difícil de conquistar, Jerusalém( até então chamada Jebús e habitada pelos jebuseus) escapou de alguma forma da vitoriosa mão de Judá, tal como havia ocorrido nos dias de Josué( Josué 15.63).

Benjamin tampouco conquistou Jerusalém. Em Juízes 1.21 nos diz: “Mas ao jebuseu que habitava em Jerusalém, não expulsaram os filhos de Benjamin, e o jebuseu habitou com os filhos de Benjamin até o dia de hoje”(se refere a época em que foi escrito este livro). Como parece a cidade permaneceu por um tempo considerável como um forte jebuseu no meio do território israelita.

O Rei Daví conquistou finalmente Jerusalém

 Conquistar esta fortaleza quase inexpugnável seria algo reservado para o rei Daví de Israel, descendente de Judá e ancestral de Jesus Cristo por meio de sua mãe, Maria.

O registro bíblico resume brevemente a conquista: “ Em Hebrom( Daví) reinou sobre Judá sete anos e seis meses, e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá”( 2 Samuel 5.5).Logo uma passagem chave afirma que “Daví tomou a fortaleza de Sião, a qual é a cidade de Daví”(v.7). É a ele a quem se deve atribuir a conquista de Jerusalém.

Depois dos 40 anos do reinado de Daví, seu filho e sucessor Salomão favoreceu a propagação de uma idolatria ascendente por todo o Israel, especialmente nos últimos anos do seu reinado. Como castigo, Deus decidiu dividir a nação depois da morte de Salomão.

 

Deus escolheu a Jerusalém

 Ao declarar suas intenções a Salomão, o Criador lhe disse: “Todavia, não tirarei o reino todo; darei uma tribo a teu filho, por amor de Daví, meu servo, e por amor de Jerusalém que escolhí.(1 Reis 11.13).

Mais adiante no mesmo capítulo se repete a afirmação de que Roboão teria uma tribo “por amor a Daví, meu servo ,e por amor a Jerusalém, cidade que eu tenho elegido de todas as tribos de Israel”(v.32). Está claro que foi o Criador quem utilizou a Daví e seus descendentes para levar a cabo seu propósito na cidade Santa. Deus escolheu pessoalmente a Jerusalém!

A Bíblia é um livro inspirado por Deus e revela a forma em que Ele trabalha com a humanidade e os propósitos que tem com ela. Registra suas maiores intervenções no passado e seus planos futuros que finalmente trarão bençãos para toda a humanidade. Mais de uma passagem nas escrituras nos diz que o Criador é o dono de toda a terra. Tudo pertence a Ele.

 

O futuro de Jerusalém

 Mesmo que Deus admoeste seriamente, a cidade escolhida, pela multidão dos seus pecados, também lhe disse: “Esta é Jerusalém; pu-la no meio das nações e terras que estão ao redor dela”( Ezequiel 5.5). Localizada entre Europa, Ásia e África, Jerusalém tem visto muitos invasores por mais de 3.000 anos. Alí se encontra a encruzilhada da humanidade. Entretanto, esta passagem crucial não se refere tão somente a assuntos geo-políticos. Também tem a ver com o que poderíamos chamar “ geografia sagrada”, que irá se cumprir durante o vindouro reinado milenial de Jesus Cristo, e mais além desse período.

Neste momento, e no futuro previsível, os habitantes locais e os residentes da região, as nações vizinhas e ainda os povos mais distantes seguem cumprindo, em parte, uma profecia bastante inquietante: “ Eis que eu farei de Jerusalém um cálice de tontear para todos os povos em redor e também para  Judá, durante o sítio contra Jerusalém. Naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem se ferirão gravemente, e contra ela, se ajuntarão todas as nações da terra”( Zacarias 12:2-3).Tal como predisse esta profecia, tem havido grande instabilidade, com repercussões regionais e internacionais devido à intromissão nos assuntos de Jerusalém.

Esta passagem de Zacarias, também se aplica em certo sentido, ao moderno Estado de Israel( mais especificamente Judá) guardiã da antiga cidade. Tem se desenvolvido uma mentalidade de sitio durante os 56 anos de sua existência. Porque? Além de suportar intermináveis guerrilhas e atos frequentes de terrorismo desde que foi fundado, Israel pelejou por pelo menos quatro guerras importantes: em 1948, 1956, 1967 e 1973. Vez após vez as nações vizinhas árabes tem ameaçado – e tem procurado – afundá-lo no Mar Mediterrâneo. Só em tempos mais recentes tem havido algum alívio de tais “soluções definitivas”.

Como registrou o conhecido escritor Conor Cruise O’Brien: “Tem Israel o direito de existir? Desde o seu nascimento – e ainda antes de nascer– o Estado de Israel tem tido que afrontar a pressão desta pergunta. E esta pergunta foi precedida de outra:  “Tem os judeus o direito de existir”? ( The Siege, 1986, p.25).

Em 1936 o pioneiro sionista britânico Chaim Weizmann disse claramente quando lhe perguntou a Comissão Peel: “Temos o direito de existir?”( Ibidem, p.196).

 O feito que se tenham que fazer semelhantes perguntas nos diz muito acerca do mundo ‘civilizado’ de hoje, que se considera tão  ‘instruído’. A única verdadeira consolação é uma paz genuína e permanente, a qual foi profetizada para estender-se por toda a Terra Santa, e não precisamente por esforços humanos.

Pedí-vos pela paz em Jerusalém

 O rei Daví foi o autor de pelo menos uma terça parte dos Salmos, talvez mais. Um dos mais comoventes é um em que ele implora pela paz de Jerusalém: “Orai pela paz de Jarusalém! Sejam prósperos os que te amam. Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios”(Salmos 122.6-7).

Esta solene oração, escrita por Daví a uns 3.000 anos, está destinada a cumprir-se de uma forma incrível. Por meio do profeta Zacarias, Deus promete: “Assim diz o Senhor: Voltarei para Sião e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém chamar-se-á a cidade fiel, e o monte do Senhor dos Exércitos, monte santo( Zacarias 8.3).

Outras profecias nos dizem que Jerusalém se converterá em um centro de paz para todas as nações da terra. Desde pontos muito distantes as nações enviarão representantes a ela para que aprendam os caminhos de Deus, e logo eles os ensinarão a seus compatriotas. Como lemos em Isaías 2.2.

Na profecia bíblica, os termos montes e colinas com frequência se utiliza para referir-se a governos, nações e reinos. Esta profecia nos diz que o governo de Deus será estabelecido e regerá sobre todas as nações da terra.

Continua Isaías: “Irão muitas nações e dirão: Vinde e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas sua veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor de Jarusalém(v.3).

Obviamente, estas profecias se referem a algo totalmente distinto das condições atuais da Terra Santa, uma região infestada de corrupção, bombardeios, atos terroristas, sequestros e assassinatos. Basta tão somente, que vejamos os noticiários de televisão.

No entanto, estas profecias acerca do milênio nos assegura que: “… Ainda nas praças de Jerusalém sentar-se-ão velhos e velhas, levando cada um na sua mão o seu arrimo, por causa da sua muita idade. As praças na cidade se encherão de meninos e meninas, que nela brincarão ( Zacarias 8: 4-5). Tanto os anciãos como os jovens viverão em um ambiente de paz e segurança  durante o vindouro reinado de Cristo. As bombas humanas serão coisa do passado.

A Bíblia nos descreve um futuro majestoso, com uma vida pacífica na cidade de paz. Este é o futuro de Jerusalém, predito há muitos séculos.

E depois a Nova Jerusalém

 Jerusalém é muito mais do que só uma cidade física; é o símbolo de uma nação. Entretanto, as fronteiras humanas e os limites tendem a desaparecer ante o que é infinito. Jerusalém tem uma dimensão espiritual que se estende à eternidade.

A igreja do Novo Testamento é chamada: “… a Jerusalém de cima, a qual é mãe de todos nós( Gálatas 4.26). Os patriarcas, profetas e reis que se mencionam em Hebreus 11 nunca receberam o cumprimento definitivo das promessas de Deus durante sua vida física. Tampouco o receberam os cristãos de hoje.

E, no entanto, estas promessas de Deus são absolutamente certas e seguras. Por fé, o patriarca Abraão “esperava a cidade que tem fundamentos, cujo arquiteto e construtor é Deus”(Hebreus 11.10). O Criador é o arquiteto divino da Nova Jerusalém. Todos os homens e mulheres de fé já imaginaram o cumprimento das promessas de Deus, “olhando de cima”(v.13). Sabem que Deus tem lhes preparado uma cidade(v.16).

Em sua mensagem a uma das sete igrejas do Apocalipse, Jesus Cristo se referiu a cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, a qual desce do céu, de meu Deus( Apocalipse 3.12). Logo, a morada de Deus estará com os homens e mulheres transformados em seres espirituais em um mundo totalmente novo( Apocalipse 21.3). A morte, o pranto, a dor e o sofrimento ficarão para trás na história, a medida que a verdadeira nova ordem mundial se estabeleça em uma nova terra( v.4-5).

Em resumo, esta é a verdade acerca da presença duradoura de Jerusalém no mundo. Apesar dos terríveis conflitos da atualidade, ela permanece como uma cidade sem igual, com um assombroso futuro que não tem paralelo. Esta é uma das razões pelas quais Jerusalém se menciona 850 vezes na Bíblia. É a simbólica pedra angular de mensagens proféticas cruciais que anunciam: Uma paz permanente para toda a humanidade!

 

Fonte: Revista Las Buenas Notícias

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